quarta-feira, 12 de agosto de 2009

E agora José?



Então...

Antes não estava dando tanta atenção para a gravidade da atual gripe A, depois comecei a ficar bastante preocupada com o que ouvia pelas ruas e com o que tinha das conversas com médicos, aí veio uma onda de "é tudo exagero - até que ponto o desespero é real", aí veio a suspensão das aulas...

Essa semana conversei com a neuro que trabalha comigo (diga-se de passagem, pessoa bacana, inteligente, profissional séria e pecinha única!rs), cheguei no trabalho toda receosa, deixando as portas abertas - para quem não sabe, neste local sou a responsável pelo psicodiagnóstico e trabalho com uma equipe multidisciplinar, então, fico uma hora e alguns muitos minutos, trancada em uma sala juntamente com os pais e a criança em avaliação, trata-se de crianças de nível social baixo, muitas delas com quase ou nenhuma noção de higiene, mas todas muito fofas e cada uma com uma história mais sofrida que a outra - depois da experiência de sentir alguns espirros e tosses molhando minha cara, estava resolvida a solicitar que máscaras para trabalharmos protegidas e que pudéssemos ter acesso à alcool em nossas salas...

Qual não foi minha surpresa quando escuto da neuro que a tal gripe não era tão 'monstra' assim, e que lógico, as pessoas que estavam morrendo nas estatísticas, a grande maioria eram pessoas imunodeprimidas (leia-se com o sistema imunológico enfraquecido, baixo), pessoas com HIV, pacientes oncológicos, cardiopatas, hipertensos crônicos, asmáticos, blábláblá, enfim, pessoas já 'encacadas' e que a tal gripe A seria apenas mais uma complicação. Inclusive ela (a neuro) estava torcendo pra poder pegar a tal gripe - e não tava conseguindo pegar- para poder ficar em casa uns dias!!!! Tudo bem, essa parte era exagero e brincadeira dela, mas entrelinhas ela deixava a seguinte idéia: é masi uma gripe que está aí, no ar, e assim como a outra, temos que aprender a conviver e lidar com ela, respeitando, claro, sempre as normas de higiene.

Depois vejo a caixa de meu email repleta de mensagens como: CUIDADO! GRIPE H1N1 / A gripe está transformando Curitiba em uma cidade alardeada, a beira de estado de calamidade / O HC em Minas está lotado de casos / O governo está escondendo os dados reais...
Ultimamente tenho deletado direto essas mensagens, porque sinceramente não sei da sua veracidade, mas a pulguinha continua ali.

A verdade é que o caos que se instalou na falta de informação do que realmente acontece, é tão grande que acabo achando que minhas dúvidas e confusões internas são meros reflexos.

Elucidação é o que não encontramos a nossa volta.

Acho que a verdadeira pandemia instalada é a da ignorância!

Por via das dúvidas eu continuo lavando muito minhas mãos e deixando a porta da minha sala aberta.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Suínos



Primeiro "sugerem" o adiamento das aulas por conta da epidemia, agora o Temporão solta nota afirmando que a medida foi exagero???


País hilário.


Primeiro não havia motivos para preocupação, agora o governo sai alardeando pelos quatro cantos do país os cuidados e precauções que deveriam ter sido divulgados a pelo menos 4 meses atrás???


Governo hilário.


Em tempo:

...ninguém pediu o fechamento de Shoppings, Cinemas, Teatros, Casas Noturnas, Bares, Bancos (putz, quer maior aglomeração do que banco em dia de pagamento? As pessoas chegam a ficar quase 2 horas em fila, com outras tantas no seu pescoço ou do seu lado, espirrando ou tossindo);

...fui obrigada a ver minha pós retornando às aulas somente no dia 15 (me dói só de imaginar quando que vão repor esses 2 sábados 'perdidos');

...o que falta mesmo é a educação, a informação, para o país (tem gente que usa máscara, mas não sabe que se deve trocá-la a cada 4 horas - se estiver com corisa o tempo muda para a cada 2horas- tem gente que lava as mãos, mas não sabe que se deve lavá-las bem entre os dedos e embaixo das unhas; tem gente que leva a mão a frente do rosto ao tossir e/ou espirrar, mas não sabe que o ideal é lavar automaticamente a mão ou levar ao rosto o braço - já que as mãos poderão contaminar qualquer local que tocar);

...o que os Ministérios da Saúde e da Educação ficaram fazendo durante todos esses meses que não preparam uma cartilha, uma palestra ou uma ação informativa dirigida às escolas?


Porcos hilários.

domingo, 12 de julho de 2009

A rosa sem pétalas




Seu pai lhe deu um beijo na testa: "Você está linda!". Com os olhos lacrimejados ela entrou no carro, ajeitou o vestido, colocou o buquet de rosas cuidadosamente em seu colo, ajeitou sua franja e viu o carro tomar o trajeto.

O dia estava lindo, as árvores no caminho repletas de flores, a primavera declarava não só a beleza da natureza, mas a surgimento de novas transformações na vida. Quando seu sim foi certeiro ela sabia que tudo iria mudar, pois sabia que era pra sempre. Era com ele que ela gostaria de estar quando acordasse nas manhãs gélidas do inverno e muitos planos e sonhos que criara desde pequena só fariam sentido com a presença dele.

Hoje era seu dia e a alegria era tamanha que nem sequer cogitara a possibilidade das luzes se apagarem.

O carro já tomava a avenida principal e ao longe ela podia ver uma movimentação, carros estacionando, pessoas atravessando a rua, pelo retrovisor podia perceber o olhar de seu pai com aquele orgulho contagiante, retocou o batom. "Chegamos querida, fique tranquila e tenha certeza de que este dia é todo seu!"
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Enquanto aguardava o tempo certo para sentir a brisa de fora do carro, avistou seu companheiro, estava tão lindo! Enquanto ele subia as escadarias e parava para cumprimentar seus amigos, ela cada vez mais tinha certeza de que era ele! E tudo aquilo lhe dava uma paz tão grande! Ele então olhou para trás, ao ver seu carro parado com certa distância, acenou com aquele sorriso largo que só ele sabia lhe dar, aquele mesmo sorriso por qual se apaixonara quando se encontraram pela primeira vez em uma festa de amigos em comum, e isso já fazia tanto tempo, mas estava guardado na sua mente como se acontecesse no mês passado!

Ela suspirou e retribui o sorriso, não tão largo mas o sorriso mais doce que ela já havia deixado em seu rosto. Sabia que era questão de tempo.

No seu campo de visão só se concentrava nele e exatamente através desta concentração que ela percebeu quando ele levou a mão no peito e soltou um pequeno grito de dor.

Não!

Já era tarde demais. Assistindo da janela do carro - a poucos metros da igreja - a queda de seu escolhido, ela só conseguiu emitir um soluço que engolira todas as arestas e arremates de sua felicidade. Esmagou as rosas em seu colo, enquanto os espinhos lhe sangravam a pele, lágrimas derramavam e lavavam seu rosto, caindo e se misturando ao escarlate presente em suas mãos.
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segunda-feira, 6 de julho de 2009

O cravo caído



Então ele abriu os olhos, tentou se proteger da claridade colocando suas mãos na frente.
Era engraçado, mas não conseguia tirar aquele sorriso largo do rosto,.
Desde que decidira tomar aquele rumo, muitas coisas ele provou, mas nada era mais delicioso que o gosto do grande dia!
Pedira para estar sozinho naquelas horas e o silêncio na casa confirmava o seu desejo.
Levantou rápido, após a pausa costumeira para se adaptar a luz do dia, tinha muita coisa para fazer.
Ao lavar o rosto, se deteve alguns instantes no espelho, observou: aquele lhe parecia seu olhar mais plácido.
Passou a mão na camisa que estava passada no cabide desde a noite anterior, escolheu com carinho a cor da gravata, a ocasião pedia azul! Terminou de se trocar, tirou os sapatos novos da caixa, sondou se a cor da meia estava ok, puxou o terno do closet, antes de sair voltou mais uma vez para checar a composição. Era certeiro! Deu uma gargalhada, ajeitou os cabelos, pegou com confiança a carteira, o lenço, o cravo e as chaves em cima da cômoda e saiu.
Passou pela cozinha, engoliu um copo de café requentado do dia anterior, abriu o armário, pegou três ou quatro avelãs, quando saia da cozinha voltou a fruteira para se suprir de duas nectarinas e um pêssego amarelinho que havia ganhado dela em uma linda cesta de frutas.
Antes de sair de casa, olhou para trás lançou um suspiro e partiu.
No trajeto, seu pensamento não parava um minuto (o celular também não!), a alegria era tão grande quanto o frio que tomava conta do seu estômago, daria cabo de algo tão novo?
As noitadas de boemia, as listas de experiências femininas (tinha um hábito de tomar nota, em seu diário, de cada mulher que atravessava sua vida), a geladeira cheia de cerveja - e vazia de comida, o café requentado, a pizza amanhecida, as dezenas de presentes e recados recebidos daquelas que havia deixado saudade, os dias de poker no meio da casa, o cigarro e suas marcas no sofá... estava abrindo mão.
Abria mão, mas estava se sentindo tão leve que mostrava uma liberdade de espírito capaz de tornar qualquer atividade lembrada em simples acontecimentos sem cores.
Buzinas estridentes cortaram o som do rádio, o sinal abrira, virou a esquerda e já avistou o local, estava enfeitado com balões na entrada, muitos carros já se encontravam no local, reconheceu todos seus amigos ali, aqueles amigos que lhe foram especiais e que havia escolhido a dedo para compartilhar esta dia.
Só não sabia que sua escolha não teria vazão.
Em um repente sentiu uma forte dor no peito, achou que era má respiração, puxou fundo o ar e soltou vagarozamente. Desceu do carro e enquanto subia a escadaria, sendo interrompido por tantos a lhe abraçar, percebeu o braço direito adormecido. Pediu um pouco de água para sua mãe, lindíssima em um longo esverdeado, passou a mão sobre o rosto e sentiu a testa molhada mesmo estando em meio aos ventos da primavera! Enquanto tomava aquela água fresca em grandes goladas, a dor voltou só que agora uma pontada mais parecida com um rasgo no peito.
O carro dela já estava na esquina, aguardando. Só pode ver o vulto do seu perfil por detrás do filme na janela, sabia que aquele perfil seria parte integrante de seus dias e autor de incansáveis alegrias. Acenou, sorriu, fechou os olhos, deu um pequeno gemido de dor...
Caiu no chão, sentiu sua cabeça batendo na quina do último degrau, o cravo saltou do seu bolso e tudo escureceu.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quando se foi.

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Os interesses mudam, as pessoas se transformam, os arremates não são mais tão calorosos...
Crescer dói, perder dói, deixar morrer dói.
O desconcerto vem tão rápido quanto os intervalos em séries delirantes.
A dúvida se instala novamente.
Chega e se espalha toda, tomando lugar daquele vazio que faz a essência (mais serena) gritar.
Mas não preenche o espaço da clareira, que se reserva aguardando o momento exato do encontro.
E o encontro não acontece, o que acontece são as lembranças que não lhe causam mais suspiros, mas que mesmo assim, a deixam estremecer.
A dor não se nega, está estampada no seu rosto, mas ela continua clara...
Se perde na tentativa de encontrar algum sentido em tudo isso.
E nesta perdição ela lastima o "deixe ir", porque na realidade ela não queria ter ido, não queria ter mudado, se transformado, perdido, crescido, deixado morrer.
Era mais confortável estar onde era arrematada.
Hoje o arremate se faz em outra... mais um arremate em outra...
E ela permanece ali, vazia.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Eles me querem assim...

Uma menina 'presa' aos desejos e sonhos dos outros procurando em toda caminhada de sua vida fazer seu próprio caminho, seguindo os seus passos, se libertando da vida inautêntica e alheia.
Letra que nos leva a pensar a importância de uma vida orgânica.
Clipe que nos leva a viajar nas formas mais plásticas existentes em mentes lúdicas.
Fruto do trabalho da união daqueles que não se preocupam com a cronicidade, vale checar!

domingo, 21 de junho de 2009

Domingo cor-de-rosa - Parte II

Em solidariedade aos fatos dominicais...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Putz!

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Normalmente costumo usar essa expressão quando me esqueço de alguma coisa ou quando algo bem chato aconteceu, logo, não a vejo como uma coisa legal, desejável, interessante, supimpa, delirante.
Isso seria o prenúncio do final (não do festival, mas sim da história), mas nem me atentei a isto e lá fui eu.
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Estive em Curitiba semana passada, visitando a San.
Adoro aquele lugar e mais ainda aquela 'guria' (e seus agregados,rs)!!!
Fiquei sabendo por eles que o videoclipe da 'Anacrônica' tinha ido para a final do Putz!
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Putz é um festival de vídeos universitários iniciado com a UFPR que cresceu e tomou proporções nacionais por receber vídeos do país inteiro - nesta edição, além do Paraná, rolou alguns de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio e Minas (acho que só) - Em resumo: Sul - Suldeste.
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O trabalho, realmente T-R-A-B-A-L-H-O, foi feito por uma equipe muito boa, todo idealizado e dirigido pelo Lucas Fernades e pelo Diego Florentino (universitário), levou cerca de 6 meses para ficar pronto, mas valeu muito a pena. Ficou um trabalho cheio de profissionalismo, criatividade e principalmente qualidade.
Para quem se interessar linkarei em outro post o vídeo.
Com o clipe na final, fomos prestigiar o Festival.
Já adianto que, óbvio - pelo nome do evento, o clipe não levou nada. Nem menção. Isso porque os organizadores e apresentadores enchiam a boca ao anunciar que no juri da categoria estava o Abujamra.
Mas a intenção aqui não é falar sobre o clipe...rs
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A tortura já estava começando a dar o ar da graça lá fora do Sesc.
O evento estava marcado para iniciar às 19hs, chegamos por volta das 18:30hs e o Sesc se encontrava com suas portas FECHADAS. Curitiba faz um calor de louco todo dia, então não nos importamos de ficar congelando no frio por 25 minutos, isso mesmo... as portas só foram abertas 5 minutos antes do horário que supostamente iniciaria o evento, PUTZ!
Resultado disso foram 6 dias de tosse de cachorro e resfriado.PUTZ!
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Com o início da apresentação, logo percebi que aguentaria um pseudo galã tentando imitar os apresentadores do Oscar - fazendo referência do 'and the Oscars goes to...' e tudo - além de sucessivas tentativas de piadas fracassadas (eu ria, mas era muito mais do galã do que de suas falas)PUTZ!
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O pior ainda estava por vir...

Eis que surge no palco um ser: entra um garoto magro, de cabelo estilo oasis antigo, vestido no estilo 'não tô nem aí, só vim ver qual é que é', com um violão na mão. Pensei: "Hum... quem sabe vai rolar um som casual, interessante". Ledo engano. Olha, eu não sou músico, não sou cantora, vocalista, mas definitivamente o rapaz era desafinado pacas, e para eu conseguir perceber isso nas primeiras notas e primeiras palavras do rapaz, era por que a coisa era gritante mesmo! Depois de algumas, muitas, músicas sem graça, pensei que a coisa toda era proposital, até perguntei se o lance era intencional, mas descobri que não, que realmente este era o ESTILO do rapaz tocar. PUTZ!
Tudo bem, as pessoas ficam nervosas em apresentações, mas aquilo já tinha passado de nervosismo faz tempo...PUTZ!
Sorte que a apresentação findou e nossos ouvidos tiveram uma trégua.
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As vinhetas das apresentações não estavam nada PUTZ, muito pelo contrário, foram criativas e bem engraçadas, deixavam a gente até curiosa para saber qual seria a próxima categoria a ser anunciada e imaginar como seria representada dentro da pescaria - tema da divulgação do evento neste ano. Teve até a cantora Susan Boyle saindo da boca de um peixe, rs.
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Porém o PUTZ estava com tudo naquela noite!
O rapaz desafinado retorna, agora acompanhado por uma menina desalinhada e fazem várias apresentações desanimadas; mostrou seu caráter desordenado ao perder a paciência com a platéia que, visivelmente torturada, começou a reclamar! PUTZ!
O circo estava armado, bate-boca em cima de palco... PUTZ!
Mas o coitado bateu boca sozinho e logo saiu do palco, para alegria sonora do ambiente.
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Os vídeos que receberam prêmios não me pareceram tããoo merecedores, mas é sempre assim, a gente nunca sabe o critério de merecimento e gosto não se discute, não é?PUTZ!
Sem contar que esta não é minha área, é apenas minha opnião. PUTZ!
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Foi interessante reparar nos discursos dos ganhadores, na falta de criatividade de alguns e na falta de oratória de todos, e todos querem viver neste meio dócil, acolhedor e compreensivo que se faz a mídia. PUTZ!
Ambiente e meio que, repito, não são minha área, rs.
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Destaque para um ganhador que se utilizou do tempo do discurso para se colocar na defesa do estilo desengonçado do rapaz magro de cabelo oasis antigo, PUTZ! (Nem preciso dizer que, no final, meu instinto me levou até o homem, que estava sentado perto de mim, e perguntei se havia falado seriamente sobre tudo aquilo e descobri que não havia fingimentos, PUTZ!).
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Legal foi perceber que a platéia acabou se interessando mais por ela mesma. É que no meio da platéia, começaram a surgir algumas pessoas com cabeças cobertas se caracterizando como boi, touro, vaca... Mais tarde descobri que aquilo eram Búfalos, escuros, e estavam espalhados pela platéia para divulgação de um blog com endereço sigaobufalobranco.blogspot, se o Búfalo era branco, então por que estavam escuro? "Justamente para vocês seguirem, procurarem o branco".
Esses Búfalos não falaram nada, não cantaram nada, não contaram nenhuma piada, não fizeram nenhuma apresentação e nenhum vídeo, mas foram campeões na criatividade de divulgação do blog, tanto é que até colocarei aqui: http://www.followthewhitebuffalo.blogspot.com/.
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No final da noite, a previsão da sensação de 'esqueci uma coisa importante' se concretizou e o PUTZ foi para o Festival!
Mas o Oscar foi para a vinheta e o blog do Búfalo!
Também para o delicioso final de noite no Peggy Sue (lanchonete que merecerá um post) com Lucas, Bruno e San!
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

2s

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Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“ Paralelos que se encontram no infinito...”.
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Neruda

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Neruda...

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No Chile, Neruda teve 3 moradias: 2 no litoral (amante convicto do mar) e 1 na capital.

La Chascona é a casa onde viveu Pablo Neruda em Santiago e hoje funciona um museu.


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Esta linda casa, cravada no morro, ao lado do Morro San Cristóban, foi construída para que Neruda pudesse viver com sua amante Matilde.



Pelas imagens vocês perceberão que o homem realmente tinha ESTILO!

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Para mim, um dos melhores lugares a se visitar.
Ficaria horas a fio admirando cada detalhe daquele emaranhado de idéias, formas, curvas e esguios, mas o museu já estava em seu horário e tive que me contentar com o tempo deles...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Suas maravilhas

No Morro San Cristóban há uma diversidade de atividades para o turista, mas junto ganhamos uma diversidade de belezas da Natureza.


Pode ser encontrada entre paisagens, mirantes, animais exóticos, animais exuberantes... ela está em todo lugar, e em um país onde o catolicismo impera, Sua Majestade não poderia estar em outro lugar, no topo do morro, de braços abertos (como nosso Redentor no Rio) como se estivesse entregando todas aquelas belezas.

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Você pode escolher algumas formas para subir o morro:

- Funicular, o famoso bondinho no Chile, que pára no meio do morro (estação zoo) para aqueles que querem aprecisar o reino animal - parada obrigatória se estiver com crianças - e segue a elevação até o cume onde se encontra o Santuário de Nossa Senhora de Santiago. Obs.: Para ir ao zoológico, ele só pára na subida, ou melhor, somente na ida.
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- Carro, é possível subir por uma estrada asfaltada até o alto do morro, deixar seu carro no estacionamento, que fica um pouquinho longe,rs.

- Teleférico, não preciso explicar sobre este aqui, né? Mas aviso que ele dá acesso ao outro lado do morro, na parte de baixo, e que não tem muita coisa de diferente para se ver.

Existe um 'combo' que você pode comprar e experimentar tanto o funicular quanto o teleférico - igual quando pedíamos passagem de metrô+trem (antes de implantarem a baldiação gratuita), ou metrô+ônibus - tendo também a opção do zoológico junto.

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Quem quiser, na entrada do parque, pode pagar mico tirando fotos com as lhamas bem juntinhas de você, quase te beijando. Se você estiver com sua própria máquina fotográfica, a brincadeira sai por $1.000 pesos ou algo em torno de R$4 reais; caso seja um turista desprevinido, sua falta de precaução lhe custará $2.000 pesos ou R$ 8 reais - o fotógrafo tira sua foto e em uma impressora movida a querosene (!!!!), ou manivela, ou algo do tipo, após alguns minutos você possui em mãos o tal retrato (como os chilenos são criativos, não?).

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Aproveitem no alto do morro, ao pé de Nsa. Senhora, para experimentar um chá estranho com umas sementinhas (huellos) que lembram amendoim. É bem docinho e gelaaado, para matar a sede de quem quiser subir de bicicleta (sim, há também a possibilidade de se subir de bike!).

Lá vista é maravilhosa, dá para se avistar toda cidade e perceber a cordilheira cerceando o centro.
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Uma dica, não aproveitem o Dia do Patrimônio no Chile (que foi o meu caso). Neste dia, muitas atrações consideradas Patrimônio do Chile, possuem sua entrada gratuíta e o congestionamento para conseguir um cantinho na beirada do mirante, para apreciar a paisagem, te lembrará a 25 de Março (aqui existe um pouco de exagero da minha parte).

domingo, 7 de junho de 2009

Concha e Toro

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O vinho Chileno é bem apreciado pelo mundo.

Na história do vinho existe uma curiosidade que descobri a pouco nesta viagem: em determinada época, a uva Carmenere foi extinta da Europa e não se produzia mais vinho desta cepa.
Somente na década de 90 descobriram no Chile o cultivo desta uva (trazida décadas atrás da região da França), que até então, era confundida com a Merlot e cultivada como tal.
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Uvas após a safra que se encerra no final do 1º trimestre


Esta uva foi devidamente descoberta após a chegada de diversos sommeliers da Europa, que vieram com o intuito de conhecer e saber mais sobre a fabricação do vinho na região, ao entrarem em contato com o vinho merlot, notaram uma certa alteração do sabor que se aproximava ao vinho Carmenere. Realizando diversos testes e exames de DNA, foi constatado o 'ressurgimento' desta espécie que atualmente é cultivada apenas na região do Chile, onde teve uma maior adaptação.

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Entrada do local onde tudo começou e também onde é armazenado o melhor vinho da Vinícula

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Segue uma historinha:
Casillero del Diablo é onde Dom Melchior (Concha e Toro) costumava armazenar seus melhores vinhos.
Notando o desaparecimento de diversas garrafas, D. Melchior resolve espalhar a história de que naquele local morava o Diabo, como a população era muito religiosa e crente, passaram a temer o local, permanecendo afastadas, curiosamente os vinhos deixaram de sumir!
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Local típico para fotografias turísticas ( o cenário é todo montado inspirado na história da Vinha)

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Não existe em português um sentido específico para a palavra Casillero, mas seu significado se aproxima bastante a palavra despensa (aquela que serve de apoio a cozinha ou a copa),armazém, portanto, Casillero del Diablo seria o mesmo que 'A despensa do Diabo'.
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Interessante comentar que só os barris que armazenam o vinho, não saem por menos de $500 dólares (barril americano), podendo chegar a custar até $1.000 dólares (barril francês).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O que o turista 'não vê'

A foto não está muito boa pois estava escurecendo e foi tirada de longa distância, mas registrei imagens de um grupo de pessoas fazendo um acampamento provisório, literalmente embaixo da ponte, bem no centro de Santiago, próximo à região da bohemia de Bellavista.

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Enquanto as pessoas que por ali passavam desabercebidas (ou pelo fato de serem chilenos e estarem absortos em seu cotidiano, ou pelo fato de serem turistas querendo alcançar a região de bares logo mais adiante e interessados em vistas mais graciosas), seguiam seus rumos, não resisti e tentei fazer alguns clicks.
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Notem também, no detalhe, faixas de manifestações e reinvindicações à presidenta chilena Michele Bachelet.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Chi Chi Chi...

Chile é um país interessante.
Estive por lá nestes últimos dias e voltei com a bagagem cheia de observações, encantamentos, vontades e confesso que um 'quê' de inveja!
Um país onde a capital quase não se vê papel no chão, sujeiras; existem pessoas pobres, humildes, sim, mas ninguém chega no vidro do seu carro babando ou fica mendingando dramaticamente nas ruas.

Casa do Governo - Santiago

Já tinha estado em Santiago há 10 anos atrás (Celebração do Jubileu de Ouro do 3º marco histórico), mas acredito que não era tão madura para prestar atenção em certas coisas.
Desta vez fui novamente para celebração, mas agora dos 60 anos, fui hiper bem recepcionada por um querido amigo (residente por lá enquanto cursa seu Seminário), que me apresentou às delícias da gastronomia Chilena no Mercado Municipal, deu um tour tático, conheci sua residência e a Puc de lá (fiquei com muita vontade de me mudar para as casinhas singelas e fofas que circundavam o campus) e ainda de quebra tivemos um free way para uma noite de Vinho Chileno DAQUELAS!!!



Restaurante no Mercado Municipal - na parede encontramos um exemplar da camisa do todo poderoso Timão!


Também estive muito bem hospedada, com mto carinho por parte das Senhoras. Até participei de uma reunião de um dos grupos de porfissionais de lá ( tudo bem que as chilenas falam muuuuuito rápido e eu custei a engrenar uma boa comunicação, mas são super fofas!)

A cidade por si já é um charme, você pode olhar para qualquer lado, ou quase qualquer lado, que você se vê rodeado pelas cordilheiras, e elas são lindas com seus cumes branquinhos. A locomoção por lá também é muito tranquila, em apenas um dia aprendi onde pegava o metrô e percebi que dele dá para ir para quase toda Santiago. Foi praticamente o meio pelo qual conheci grande parte dos lugares de lá. Interessante notar que até dentro do metrô se tem incentivo aos valores e morais da conservação da família. Enquanto me deslocava até o centro de Santiago, observei pelo menos duas ou três propagandas diferentes falando sobre o valor da família.



Cordilheiras vista da 'auto-pista' a caminho da Vinha


O Chile valoriza muito a família, é um país (em sua grande maioria) católico e possui uma educação invejável.
Segue algumas observações minhas:
- as pessoas param o carro para o pedestre atravessar a rua (na faixa, diga-se de passagem);
- respeitam o desembarque antes do embarque;
- pasmem! não vendem bebidas alcoolicas antes das 9hs da manhã (em qualquer lugar, juro! fui ao supermercado comprar um vinho para levar na viagem, era 8:30hs, só pude sair do local após as 9hs, fiquei meia hora parada na frente do caixa aguardando o horário, claro que aproveitei para conhecer um pouco mais dos chilenos, conversando até com os seguranças e repositores do local);
- valorizam a música e seu ensino nas escolas desde pequenos (aqui quero dizer música de verdade, de qualidade);
E por aí vai... acho que dá para se ter idéia do que estou falando.



Museu de Belas Artes de Santiago

Conheci lugares lindos, dei uma de típica turista me perdendo um tanto e até pagando mico pegando ônibus sem pagar (lá todos tem um cartão que se recarrega, e eu embarquei no ônibus, percebendo que não havia cobrador, fui pagar ao motorista, que achou melhor me deixar fazer a viagem sem custo - custaria mais a ele me explicar o funcionamento da cobrança,rs), participei de deliciosos encontros e chás, presenciei momentos e questões marcantes no Jubileu e nos próximos dias dividirei um pouco do tanto que trouxe de lá no coração.

domingo, 3 de maio de 2009

Virada

Hoje foi dia de VIRADA CULTURAL.

Não tenho taaaanta paciência para ficar em shows de estilo woodstock e nem em festas de estilo raves.
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Mas duas coisas me atraíram neste grande evento da prefeitura, promovido pelo quinto ano consecutivo:

1- Shows gratuítos - como Francis Hime com a Orquestra Experimental de Repertório;

2- A presença da (Lú Balão) - amiga querida que não via desde 2000.

Tá, não estive como zumbi, virando as 24 horas atrás dos eventos e gastando calorias atrvés do centro de São Paulo - ou gasolina a procura de algum CEU ou Sesc com atividades interessantes durante todo o final de semana.

Eu sei!

Preferi fazer um estilo light desta virada.



Virei a noite na minha confortável cama, hoje levantei cedo, tomei um belo e demorado banho, fui à missa, matei saudades dos meus sobrinhos e só então fui pra Sampa, sozinha.

Larguei meu carro na Barra Funda (era mais seguro por dois motivos: me perder no centro e ter meu carro roubado) e fui de metrô para a Pça da República.
Meu tempo estava contado, queria estar na São João antes das 12hs - horário que começaria o show do Zeca Baleiro - mas logo percebi que poderia ter separado mais alguns minutos para a parte da apreciação, todo o centro estava repleto de policiamento o que tornava muito tentadora a possibilidade de caminhar admirando a arquitetura e a história que se encontra impregnada naquelas ruas. Mas como estava com o tempo contado, não parei, não olhei e nem matei minha vontade, fui direto e reto pra São João.

Show do Zeca, muito delicioso, adoro suas letras.
Derrepente malabarismos no céu (não o CEU da Marta), vontade de aprender artes circenses... mas aí me lembro do quanto sou preguiçosa! Foi engraçado o público, por alguns instantes, esqueceu que o Zeca tava bem na nossa frente!
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Acrobatas em guindaste - "concorrência" com o Zeca Baleiro.

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Me espanto com a quantidade de travesti e casais gays que andavam pelo show!
Comento com um amigo meu (que por sinal encontrei de sopetão no meio da multidão)... e esse acrescenta que a estatística de lésbicas é 2 ou 3 vezes maior - isso é um dado que para mim é definitivamente irrelevante! - tudo começa a me deixar um tanto inquieta!

A Lú tá super fofa e não mudou nada! Companhia maravilhosa no show!

Acaba o show e lá vou eu pras bandas do Teatro Municipal, queria pegar lugar na fila para ver o Francis que começaria às 15hs, chego por volta das 13:40hs e já tinha uma fila boa. Não me importava...

Esse definitivamente valeu.

Assisti sentada, as pessoas não ficavam se agarrando ou fumando maconha ou usando drogas na minha frente, não precisei ficar inconformada ao ver mães irresponsáveis com bebês de colo na frente de uma caixa de som alto, o banheiro estava limpíssimo, todo mundo fazia silêncio para escutar a apresentação, todo mundo batia palmas só quando a música acabava, não tinha pessoas bêbadas pegando no seu cabelo e nem arrumando brigas, o chão não estava molhado de xixi.

Além, é claro, do fato de assistir ao Francis Hime (parceiro de Vinicius de Moraes e Chico Buarque) em um piano de cauda, tocando canções belíssimas como "Minha" e "Atrás da porta", juntamente com a Orquestra Experimental de Repertório. Todos mostraram grande investimento, tanto pela escolha do repertório, quanto pela destreza que desenvolveram toda a apresentação.
Um respeito gigante pelo público.

E pensar que talvez a maioria que estava alí nunca teria a oportunidade de ser presentiada com tamanho respeito, talvez muitos que estavam alí nem sequer sentiram tal experiência como pesente... mas eu senti!

Toda platéia aplaudindo em pé ao final da apresentação - e toda a Orquestra recebendo em pé os aplausos.


No final do show ficou o gostinho de "queria morar aqui", mas o gostinho deu lugar a realidade:
"Vambora que hoje é final de campeonato e depois o trânsito vai ficar insuportável!"
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Novamente a lamentação de não ter tempo para apreciar o centro, novamente as ruas molhadas, novamente os casais gays, as drogas soltas, as mães irresponsáveis,novamente o policiamento, o metrô, o estacionamento, novamente o carro, os caminhos, a preguiça, a vontade...
RE-VIRADA!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Tapas

Semana passada estive em um bar (Tapas - novamente na baixa augusta) na festa do namorado da B. - amiga de longas datas, longos porres e longas partilhas universitárias - deixo aqui o registro do local.



O som ficou por conta de djs que eram todos amigos e tema da festa do dia (mojo alguma coisa...), experimentei uns "pinchos" bem saborosos, com combinados interessantes - como brie e geléia de damasco (adoro misturas de sabores - como mel e pimenta) acompanhado por suco, já que estava me cuidando de uma dor de garganta descolada durante minha aventura de volta do Astronete!

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Em determinado momento fecharam as cortinas, a paródia de se sentir em uma sala de estar de uma casa ou apartamento durante uma reunião de amigos, foi incontestável.


Vale a visita!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tamponamento

Hoje sai da terapia com uma frase na cabeça...e essa frase se arrastou até o curso que estou fazendo. Pois é, saio de um ambiente psi e entro em outro ambiente... também psi!

"Você se coloca sempre como sendo enganada, mas na verdade você é quem se engana sempre!"

A frase faz referência a uma certa dinâmica que por momentos se instaura na minha vida, acabo produzindo relações que me causam dor para esconder, para me "distrair" (sim, já que elas me consomem horroooores!), de uma dor muito maior que se encontra fora de todas essas relações externas, se encontra em mim mesmo. Credo!

Essa frase ecoou no decorrer da sessão, deu pano para manga, mas como boa resistência contida em mim, o pano surgiu só no final do tempo (igual gol do timão em final de campeonato - com uma diferença: esse pano no final do segundo tempo quase nunca traz a mesma reação de explosão, êxtase ou euforia explicitada nos rostos de quem acompanha aos jogos das decisões) e lá fui eu embora com o pano para bordar a manga em outro momento ou em outros lugares. E não é que o pano me acompanhou e permitiu um pouco de alinhavo dali alguns minutos depois, enquanto discutíamos sobre as leituras psicanalíticas do brincar na visão lacaniana?

Então, Lacan sempre me foi uma incógnita gigantesca, como aquele gênio foi capaz de unir tão artísticamente a lingüística, a linguagem, a constituição psíquica e a psicanálise? Tudo bem que essa linha exige enormes investimentos e não é minha área, mas sempre gostei e me empolguei nos debates.

E em dado momento escuto nova frase (ou algo parecido):

"Somos incompletos... isso nos faz falar sobre a falta... muitas vezes a dor da falta é tão grande que impele o sujeito a criar formas de ligação entre o significante e o significado através de um tamponamento, em que somente o significado é capaz de dar conta do desejo, limitando assim a flexibilidade psíquica do sujeito..."

Tá bom! A coisa tá complexa demais hoje, né?

Talvez pelo fato de tudo ter me tocado de forma complexa também, mas em resumo a tal discussão (que girava em torno do contexto do fetichismo) gritava, esperniava nos meus ouvidos, não o fetiche em si, mas a forma como ocorre - o tamponamento - as ferramentas que o sujeito possui para lidar com a incompletude e o quanto isso nos é complexo !

Záz!

E lá vou eu alinhavando a tal manga...

Acho que, ao sempre colocar que sou enganada, estou na realidade usufruindo de um tamponamento necessário (ao menos neste momento) e até mesmo "falso" para não entrar em contato com uma dor muito maior!

No final da estória... continuo INCOMPLETA!

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Sorriso de Mona Lisa

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Não seria o mundo da moda, da plástica, da Daslu, das dietas, da beleza, uma ditadura, um engessamento da sociedade atual?

Uma releitura do que encontramos no enredo de um filme, que possui como palco, uma tradicional escola feminina (Wellesley College) na década de 50, com todo conservadorismo e reducionismo da função feminina da época.
Se trata de um filme com pouco mais de 5 anos de estréia - já passado talvez - mas hoje na sala, com a deliciosa compania da minha mãe, em um preguiçoso feriado, me entreguei a uma tarde daquilo que a tv paga nos proporciona (filmes e seriados) e lá estava ele na minha lista de repetecos com gostinho de inverno!

A diferença é que hoje me questionei sobre o conservadorismo que vivemos no século XXI.
Enquanto assistia aquelas atrizes representando meninas inteligentes que lutavam para serem boas mulheres, dedicadas mães, com sorriso perfeito enquanto nadavam, com postura impecável ao portar-se na mesa, pensava nas meninas de hoje em dia que também lutam, só que para serem condizentes com os muitos padrões que a sociedade e algumas décadas de cultura vêm nos impondo.
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Os sorrisos engessados nos rostos dos 50's não seriam os mesmo daqueles que adoram as passarelas de eventos como SPFW ou Shoppings como Iguatemi e Cidade Jardim?

As posturas impecáveis e petrificáveis daqueles corpinhos presos pelos tão sonhados espartilhos do século XVI e que nas décadas de 40 e 50 antecederam o feminismo e os sutiãs queimados em praças públicas, não seriam os mesmo que encontramos nas esteiras das academias ou nas escolas de danças ou esportes e revistas da moda?

Será que ainda estamos destinadas a oferecer a mesma herança (só que hoje "repaginada") da dependência que recebemos de décadas e séculos atrás?

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Domingo cor-de-rosa*

Poxa!!!

*Créditos da foto devidamente dados a um amigo mais que querido, a um amigo proprietário da carta branca!

domingo, 19 de abril de 2009

Astrocrônica

Sexta foi dia de show.
Show de encontros.
Show de amigos.
Show de músicas.
Show de bar.
Show de figuras.
Show de banda.


Estive no Astronete, bar de reduto do rock underground em São Paulo, a poucas passadas da Augusta, no Centro.

O bar por si já vale a visita, lembra bastante aqueles bares americanos, mas com temática dos anos 60/70, certa apelação sensual (dando razão para uma frase do site: "Astroneter Bar, somente para adultos que gostam de coisas de adultos."). Boas cervejas no cardápio (como stella artois, erdinger...), uma tequila muito bem servida e chopp guinness que chega macio na boca, os líquidos são garantidos.
O som fica por conta de Djs que discotecam a noite toda com aqueles "bolachões" que nos lembram as casas de dance no final da década de 70. Que som?
Rock!
Rock dos 50's, 60's, 70's, 80's... lá você ouve de tudo, mas o final da noite fica reservado para o balanço dos 50's e 60's, em que você pode estar disposta a ser tirada para dançar e rodopiar ao longo da pista pequena que fica destinada para as performances ou para a platéia em dias de shows.
A clientela do bar entra em suave comunhão com o nome do local, muitos "figuras", pessoas com cabeças diferentes, papos enloqüentes, vestuários um tanto quanto diferentes e um certo "quê" de astros rondando no ar... pessoas sempre abertas e receptivas às diferenças.
No meio da noite foi hora da banda.
Entraram no palco já era mais de 1h da manhã - meu corpinho já não tinha o mesmo pique de 10 anos atrás, e o sono já estava me abatendo, mas estava lá por eles e por lá fiquei, até o fim - minha cama me sustentou por um sábado todinho para me recompor!
A Anacrônica é uma banda de Curitiba em que uma amiga super especial traz o vocal e todo o charme feminino no quarteto do sul. Sei que de lá surgiram grandes nomes na cena independente do rock brasileiro ( grupos como Mordida, Terminal Guadalupe, Relespública, já tiveram alguns ritz expandidos no território nacional) e a banda tem se mostrado mais um grupo curitibano a levar a fama de boa música e a idéia de que o rock brasileiro ainda não está fadado a covers e revivals melosos.
Acho que quem me conhece sabe perfeitamente que não sou expert neste mundo musical, nem almejo ser, mas a Anacrônica merecia uma tentativa minha ao escrever sobre boas letras e a idéia de que grupo bom não se forma, se evolui.
Os outros 3 homens que completam a banda são Marcelinho (baixo), Gordo (bateria) e Bruno (guitarra e voz) esse último também ocupa o privilégio de ser o maridão da fofa da San!
Os meninos tocam muito bem, todos com presença no palco e a cada dia que os assisto mais percebo a evolução destes queridos. A San, como já falado, é quem dá o tom do charme no vocal, mas também é a responsável pela performance e pela estimulação daqueles que estão assistindo, e juntos os 4 formam a banda responsável por uma noite inteira de alegrias e grandes encontros que fui presenteada!


Recomendo, às vezes vale muito a pena sair do que estamos habituados e presos.

Nos abre algumas fissuras na vida, para que tenhamos sonhos e inspirações para continuarmos respirando.


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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Quero?!...


Ando me questionando se quero realmente me manter na direção que acho ser a que eu quero.

Nem ao menos sei se quero, ou o que quero.

Por que será que quero decifrar?

Se é que quero algo!




Mas de súbito só me permito acesso às quimeras.

E como quero...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Juventude de Páscoa!

Recebi o vídeo de uma amiga muito querida.

Aquelas que, além de rancarem nossos neurônios das férias, nos presenteiam com endorfinas e dopaminas gratuitas, apenas com sua presença - e olha que nem necessita ser física!



Pena que deixei passar enquanto passou aqui...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Únicas!


Ontem estive, durante a noite, na vigília que antecede a sexta-feira santa.
O registro que vivi em determinado momento foi único.
A presença e constância de duas amigas muito queridas, fizeram todo sono, cansaço, culpas, nóias, e picuinhas, que poderiam tomar conta dos meus sentimentos e meus pensamentos, se dissiparem.
Enquanto estávamos tocadas pela união de nossas mãos, todas ao mesmo tempo, não tive como não me questionar sobre o valor dos vínculos que criamos hoje em dia.
Sem dúvida todos os laços que criamos e cultivamos com desinteresse e carinho, são claros e certeiros para trazer o acolhimento que precisamos na vida.
Mas não é fácil, é árduo, exige investimento e inteireza, sempre!
Às vezes há desânimo, tristezas, dores, dúvidas, vergonhas... não é simples.
Mas compensa, porque as respostas que encontramos com isso são preciosas, prediletas e ÚNICAS!
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domingo, 29 de março de 2009

O "..."



Às vezes me pergunto porque me coloco sempre em situações dúbias.
Sei que a história não é sempre como sonhamos!
Afinal de contas, a vida acotece no real: e o real é muito mais cruel que os finais das estorietas que escutávamos na infância. Mas ao mesmo tempo, é muito mais colorido que os sonhos intocáveis que perpassam nossas noites.
E lá estou eu, pela enésima vez, encafifada ou alucinada com o fato do poder que tenho em me sabotar.
Sinto-me tão vazia, tento não pensar muito nessas coisas, sabe?
Deixar passar, comer bastante, durmir o dia todo, me empanturrar de qualquer coisa que me tire daquilo que vivo no agora, sem pensar no peso que tudo isso acarretaria à minha consciência.
Me coloco em relações amargas, rasgadas, sem espaço para mim, momentâneas... e vou seguindo as horas, os dias, semanas... quando percebo segui anos.
E aí fico sabendo - fico sabendo não, eu procuro saber, acho que tenho um sentimento incontrolável dentro de mim que me empurra para a curiosidade das pessoas que deixaram marcas em mim - que o ..., que o ..., o ... (derrepente uma imensa dificuldade de buscar um nome para ele, e isso me incomoda - quanto ao fato de deixar as coisas mais neutras, vem de outro motor que conto melhor alguma hora) como estava falando, que o "..." novamente está com alguém, está bem, recebendo demonstrações do quanto é importante e carinhoso.
Ele sempre foi carinhoso sim, mas superei muito bem o fato da sua estada em mim ter se partido, então porque saber desses detalhes me atravessa tanto?
Talvez seja pelo fato de não conseguir tomar e retomar novas relações e pimentas com tanta facilidade quanto o "..." faz, talvez seja pela saudade, talvez seja pela inveja ou até mesmo pela gratidão.
E lá se foi mais um domingo regado a melancolias e auto-depreciação.
Argh... qualquer dia ainda assumo minha base e antes da sabotagem, juro que me esfacelo toda, mas não me permitirei entrar nesta certeza de que não sustentaria. Ah, não!



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quinta-feira, 26 de março de 2009

Insustentável


Depois de uma tarde inteira conversando, ela resolveu escutar um pouco o que ele lhe dizia.
Mesmo sabendo que não era o que buscava no momento, ela foi lá e fez!
No momento foi tocantemente lindo.
A plenitude se fez estada e abriram-se partituras de sonhos e levezas em um certo território; momentâneo, e assim se reduziu.
E depois só lhe restou aguardar a dor e a amargura da frustração...
As fissuras já estavam cravadas naquele território, naquele corpo.
Só tinha uma certeza:
Não era capaz de sustentar!

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