Hoje sai da terapia com uma frase na cabeça...e essa frase se arrastou até o curso que estou fazendo. Pois é, saio de um ambiente psi e entro em outro ambiente... também psi!
"Você se coloca sempre como sendo enganada, mas na verdade você é quem se engana sempre!"
A frase faz referência a uma certa dinâmica que por momentos se instaura na minha vida, acabo produzindo relações que me causam dor para esconder, para me "distrair" (sim, já que elas me consomem horroooores!), de uma dor muito maior que se encontra fora de todas essas relações externas, se encontra em mim mesmo. Credo!
Essa frase ecoou no decorrer da sessão, deu pano para manga, mas como boa resistência contida em mim, o pano surgiu só no final do tempo (igual gol do timão em final de campeonato - com uma diferença: esse pano no final do segundo tempo quase nunca traz a mesma reação de explosão, êxtase ou euforia explicitada nos rostos de quem acompanha aos jogos das decisões) e lá fui eu embora com o pano para bordar a manga em outro momento ou em outros lugares. E não é que o pano me acompanhou e permitiu um pouco de alinhavo dali alguns minutos depois, enquanto discutíamos sobre as leituras psicanalíticas do brincar na visão lacaniana?
Então, Lacan sempre me foi uma incógnita gigantesca, como aquele gênio foi capaz de unir tão artísticamente a lingüística, a linguagem, a constituição psíquica e a psicanálise? Tudo bem que essa linha exige enormes investimentos e não é minha área, mas sempre gostei e me empolguei nos debates.
E em dado momento escuto nova frase (ou algo parecido):
"Somos incompletos... isso nos faz falar sobre a falta... muitas vezes a dor da falta é tão grande que impele o sujeito a criar formas de ligação entre o significante e o significado através de um tamponamento, em que somente o significado é capaz de dar conta do desejo, limitando assim a flexibilidade psíquica do sujeito..."
Tá bom! A coisa tá complexa demais hoje, né?
Talvez pelo fato de tudo ter me tocado de forma complexa também, mas em resumo a tal discussão (que girava em torno do contexto do fetichismo) gritava, esperniava nos meus ouvidos, não o fetiche em si, mas a forma como ocorre - o tamponamento - as ferramentas que o sujeito possui para lidar com a incompletude e o quanto isso nos é complexo !
Záz!
E lá vou eu alinhavando a tal manga...
Acho que, ao sempre colocar que sou enganada, estou na realidade usufruindo de um tamponamento necessário (ao menos neste momento) e até mesmo "falso" para não entrar em contato com uma dor muito maior!
No final da estória... continuo INCOMPLETA!