domingo, 3 de maio de 2009

Virada

Hoje foi dia de VIRADA CULTURAL.

Não tenho taaaanta paciência para ficar em shows de estilo woodstock e nem em festas de estilo raves.
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Mas duas coisas me atraíram neste grande evento da prefeitura, promovido pelo quinto ano consecutivo:

1- Shows gratuítos - como Francis Hime com a Orquestra Experimental de Repertório;

2- A presença da (Lú Balão) - amiga querida que não via desde 2000.

Tá, não estive como zumbi, virando as 24 horas atrás dos eventos e gastando calorias atrvés do centro de São Paulo - ou gasolina a procura de algum CEU ou Sesc com atividades interessantes durante todo o final de semana.

Eu sei!

Preferi fazer um estilo light desta virada.



Virei a noite na minha confortável cama, hoje levantei cedo, tomei um belo e demorado banho, fui à missa, matei saudades dos meus sobrinhos e só então fui pra Sampa, sozinha.

Larguei meu carro na Barra Funda (era mais seguro por dois motivos: me perder no centro e ter meu carro roubado) e fui de metrô para a Pça da República.
Meu tempo estava contado, queria estar na São João antes das 12hs - horário que começaria o show do Zeca Baleiro - mas logo percebi que poderia ter separado mais alguns minutos para a parte da apreciação, todo o centro estava repleto de policiamento o que tornava muito tentadora a possibilidade de caminhar admirando a arquitetura e a história que se encontra impregnada naquelas ruas. Mas como estava com o tempo contado, não parei, não olhei e nem matei minha vontade, fui direto e reto pra São João.

Show do Zeca, muito delicioso, adoro suas letras.
Derrepente malabarismos no céu (não o CEU da Marta), vontade de aprender artes circenses... mas aí me lembro do quanto sou preguiçosa! Foi engraçado o público, por alguns instantes, esqueceu que o Zeca tava bem na nossa frente!
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Acrobatas em guindaste - "concorrência" com o Zeca Baleiro.

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Me espanto com a quantidade de travesti e casais gays que andavam pelo show!
Comento com um amigo meu (que por sinal encontrei de sopetão no meio da multidão)... e esse acrescenta que a estatística de lésbicas é 2 ou 3 vezes maior - isso é um dado que para mim é definitivamente irrelevante! - tudo começa a me deixar um tanto inquieta!

A Lú tá super fofa e não mudou nada! Companhia maravilhosa no show!

Acaba o show e lá vou eu pras bandas do Teatro Municipal, queria pegar lugar na fila para ver o Francis que começaria às 15hs, chego por volta das 13:40hs e já tinha uma fila boa. Não me importava...

Esse definitivamente valeu.

Assisti sentada, as pessoas não ficavam se agarrando ou fumando maconha ou usando drogas na minha frente, não precisei ficar inconformada ao ver mães irresponsáveis com bebês de colo na frente de uma caixa de som alto, o banheiro estava limpíssimo, todo mundo fazia silêncio para escutar a apresentação, todo mundo batia palmas só quando a música acabava, não tinha pessoas bêbadas pegando no seu cabelo e nem arrumando brigas, o chão não estava molhado de xixi.

Além, é claro, do fato de assistir ao Francis Hime (parceiro de Vinicius de Moraes e Chico Buarque) em um piano de cauda, tocando canções belíssimas como "Minha" e "Atrás da porta", juntamente com a Orquestra Experimental de Repertório. Todos mostraram grande investimento, tanto pela escolha do repertório, quanto pela destreza que desenvolveram toda a apresentação.
Um respeito gigante pelo público.

E pensar que talvez a maioria que estava alí nunca teria a oportunidade de ser presentiada com tamanho respeito, talvez muitos que estavam alí nem sequer sentiram tal experiência como pesente... mas eu senti!

Toda platéia aplaudindo em pé ao final da apresentação - e toda a Orquestra recebendo em pé os aplausos.


No final do show ficou o gostinho de "queria morar aqui", mas o gostinho deu lugar a realidade:
"Vambora que hoje é final de campeonato e depois o trânsito vai ficar insuportável!"
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Novamente a lamentação de não ter tempo para apreciar o centro, novamente as ruas molhadas, novamente os casais gays, as drogas soltas, as mães irresponsáveis,novamente o policiamento, o metrô, o estacionamento, novamente o carro, os caminhos, a preguiça, a vontade...
RE-VIRADA!

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